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Convivendo com o colorido

12 de Setembro de 2017- Por Carol Serafim - Redatora

Estamos todos vivendo uma época única: a inclusão de minorias. Para muitos, nada de novo. Mas para uma fatia considerável da sociedade essa realidade exige uma série de adaptações, incluindo a busca por conhecer, e entender, o novo e a desconstrução de alguns conceitos, como gênero e sexualidade.

Pra começar, o que é LGBT?

Se você ainda não sabe, é importante que fique claro o significado da sigla LGBT - Lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais e transgêneros. Em alguns casos o Q de Queer também faz parte da sigla, mas não é muito comum no Brasil. Queer é um termo que pode ser usado para se referir a pessoas que não se enquadram naquilo que a sociedade acha normal. Por exemplo, um homem homossexual que se veste de forma feminina, pode ser considerado queer.

Identidade de gênero e orientação sexual são a mesma coisa?

Agora que você já sabe o significado da sigla LGBT, vamos nos aprofundar um pouco mais. Afinal, conhecimento é responsabilidade e você vai ganhar algumas delas depois de ler esse artigo. Primeiramente, NÃO. Identidade de gênero e orientação sexual NÃO são a mesma coisa. 

Identidade de gênero: a identidade de gênero diz respeito a como você se identifica, se com gênero masculino ou feminino. Dentro da identidade de gênero existem os cisgêneros e transgêneros. Cisgêneros se identificam com o seu sexo biológico de nascença. Transgêneros são pessoas que possuem, desde muito cedo, provavelmente desde o útero, uma afinidade ou preferência pela adoção da identidade de gênero diversa ao seu sexo biológico.

Travestis por exemplo transitam entre os dois gêneros. E existem também os não-binários, que são definidos pelo Centro de Equidade de Gênero da Universidade da Califórnia em Berkeley como:

“Uma pessoa cuja identidade de gênero não é nem homem nem mulher, está entre os sexos ou além, ou é uma combinação de gêneros. Essa identidade é geralmente uma reação à construção social do sexo, aos estereótipos de gênero e ao sistema binário de gênero. Algumas pessoas não binárias se colocam sob o guarda-chuva dos transgêneros, enquanto outras não”. 

Aqui eu recomendo o documentário O Riso dos Outros, dirigido por Pedro Arantes, que aborda uma importante questão: existem limites para o humor?

Brincar ofende ou é vitimismo?

“Pô, o mundo tá muito chato!” e “Não posso nem brincar mais, brincar virou ofensa” são dois tipos de coisa que temos ouvido e lido muito por aí. Isso porque com o crescente aumento do uso das redes sociais, as pessoas ganham cada vez mais voz e todos somos expostos a realidades que não conhecíamos. Alguns enxergam isso como uma oportunidade de entender e abraçar o novo, o que era desconhecido, outros se assustam e se sentem desconfortáveis quando descobrem que o mundo muda a todo instante. Essas pessoas não aceitam o diferente, preferem a conveniência da sua própria bolha, onde há certo “controle” da realidade. Aí que surge o problema.

Fulano sempre chamou os amiguinhos de viado, desde quando ele era uma pequenina criança de 8 anos de idade. Qual o problema? É só brincadeira, pô. Sempre foi só brincadeira. Hoje, aos 25, ele descobre que um colega de trabalho é homossexual, e que passou por maus bocados ao se assumir pra família. Quando esse colega de trabalho chama ele num canto e diz: “Cara, eu não me sinto confortável quando você usa a minha orientação sexual de forma pejorativa, com o objetivo de xingar outras pessoas” a resposta do fulano é clássica: “Pô, mas eu sempre fiz isso na inocência, não quero insultar ninguém… Você tá se fazendo de vítima”.

Não seja fulano. 

Saia da bolha e seja bem-vindo à realidade

Já imaginou se, de um dia pra noite, você, o seu jeito de ser ou a sua personalidade virassem um insulto? Do dia pra noite. Feche os olhos e tente sentir como seria acordar e encarar, diariamente, olhares desconfiados ou comentários maldosos sobre você, só por você ser quem é. É assim que o mundo tem sido, há muito muito tempo, para os homossexuais e membros do grupo LGBT. 

Na próxima vez que você for falar com alguém, pense duas vezes antes de usar “viado”, “bichinha” ou qualquer outra palavra que se refira, de forma pejorativa, a uma característica de outra pessoa. Analise com outros olhos as palavras e brincadeiras “inocentes” que você usa no dia a dia. Dê um basta na cultura do insulto.

As pessoas merecem respeito. Todas elas. 


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Carol Serafim - Agência Gênia
Carol SerafimRedatora

Formada em Direito pela Faculdade de Direito de Itu, é uma pessoa muito questionadora desde que se entende por gente. É sensível, saudosista e gosta de ouvir músicas que já saíram de moda. Adora Netflix, Spotify e está sempre por dentro dos Trending Topics do Twitter.

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